Koko Daily · Resumo Diário24 JUN 2026

A IA invade o cinema e a banheira

Quarta-feira, 24 de junho de 2026 · 14 histórias

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A IA chega ao cinema indie mais respeitado do mundo (o Google bota US$75M na A24) e entra nos briefings de defesa nacional (Five Eyes avisa que modelos capazes de derrubar governos já existem). O WhatsApp troca de líder após sete anos, entra o fundador do CRED, que sabe o que significa escalar fintech em mercado emergente. E a Midjourney abriu spa.

Social media

01WhatsApp troca de chefe após sete anos, Meta contrata Kunal Shah do CRED para liderar o app

Meta investiu US$900 milhões no fintech indiano CRED por uma fatia de ~20% e contratou seu fundador, Kunal Shah, para assumir o WhatsApp globalmente. Will Cathcart, que comandou o app pelos últimos sete anos e o levou de 1,5 bilhão para 3 bilhões de usuários, anunciou a saída para um período sabático. O indiano que transformou pagamento de cartão de crédito em produto de status assume um dos maiores apps do planeta.

Por que isso importa: Shah não vem do mundo de produto de mensagem, vem de fintech e distribuição em mercados emergentes com baixíssima renda per capita. Com 3 bilhões de usuários, o WhatsApp parou de crescer em volume. A próxima fase é monetização, e Shah é exatamente o tipo de founder que sabe extrair receita de uma base enorme sem expulsar quem não pode pagar. O Brasil, laboratório histórico do WhatsApp, vai sentir essa mudança de abordagem antes de qualquer outro país.

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02Instagram testa conteúdo longo, episódico e horizontal na TV, aposta contra o YouTube

O Instagram começou a testar vídeo horizontal, conteúdo episódico, séries e transmissões ao vivo na versão para TV. O app vai aparecer em TVs Samsung e está posicionando um produto de entretenimento long-form que compete diretamente com YouTube, não com TikTok. A ideia é que criadores produzam séries para o Instagram TV, não apenas Reels para o celular.

Por que isso importa: O Instagram está tentando ser dois produtos ao mesmo tempo: rede social rápida no celular e plataforma de entretenimento na tela grande. É uma aposta alta, o YouTube levou uma década para dominar o comportamento de controle remoto. Para criadores, o sinal é claro: quem souber fazer série e conteúdo episódico para Instagram TV vai entrar num mercado com muito menos concorrência do que qualquer outra plataforma hoje.

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Inteligência artificial

03Five Eyes para o mundo: IA capaz de tirar governos do ar chega em meses, não anos

As agências de segurança dos EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia publicaram declaração conjunta alertando que modelos de IA suficientemente avançados para comprometer infraestrutura crítica de governos e empresas já estão a meses de distância. A frase central do comunicado: "o prazo não é anos, é meses". O alerta pede que líderes "ajam agora" para endurecer defesas contra ataques acelerados por IA.

Por que isso importa: Não é o primeiro alerta de segurança sobre IA, mas é o primeiro assinado pelos cinco maiores aliados de inteligência ocidentais ao mesmo tempo. Quando Five Eyes fala junto, não está teorizando: está comunicando avaliações baseadas em inteligência real. Para empresas: o seguro de cyber vai ficar mais caro, as exigências de auditoria vão aumentar e a janela para preparar defesas está fechando.

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04Sakana Fugu, lab japonês lança modelo que orquestra vários outros e diz chegar perto do Fable 5

A japonesa Sakana AI lançou o Fugu, um sistema de orquestração multi-agente acessível via API única. O modelo distribui cada solicitação para uma pool de modelos diferentes, combina as respostas e entrega o resultado como se viesse de um único modelo. A Sakana posicionou o Fugu como alternativa soberana ao Fable 5 e Mythos, dois modelos banidos por controles de exportação americanos, mas a recepção inicial foi mista: usuários relatam que na prática não atinge os benchmarks divulgados.

Por que isso importa: Fugu não é um modelo novo, é uma camada de roteamento por cima de modelos existentes. É o caminho que laboratórios fora dos EUA estão tomando: não treinar do zero, mas orquestrar o que já existe. O movimento aponta para onde vai o mercado: coordenação de agentes como vantagem competitiva, não apenas escala de parâmetros. A recepção fria é um lembrete de que benchmark não é produto.

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05Samsung leva ChatGPT Enterprise e Codex para todos os funcionários sul-coreanos e divisão global

A OpenAI fechou um contrato com a Samsung para integrar ChatGPT Enterprise e o Codex a todos os funcionários sul-coreanos e à divisão DX mundial da empresa. A OpenAI chamou de um dos maiores deployments empresariais da história das ferramentas. A Bixby, assistente nativa da Samsung, deve se beneficiar da integração em versões futuras dos aparelhos.

Por que isso importa: A Samsung não é uma startup, tem 270 mil funcionários espalhados em hardware, semicondutores, eletrodomésticos e logística. Isso significa que a OpenAI está testando, em escala real, como IA de uso geral entra na rotina de uma empresa industrial global. Os dados desse deployment vão moldar o produto B2B da OpenAI por anos. Para quem vende consultoria ou implementação de IA corporativa, essa é a referência de benchmark que vai aparecer nas próximas RFPs.

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Marketing e publicidade

06Getty e OpenAI, banco de imagens entra no ChatGPT e ações sobem 145%

Getty Images fechou um acordo de licenciamento com a OpenAI para disponibilizar seu banco de imagens na busca e nas ferramentas de descoberta do ChatGPT. O anúncio não é sobre treinar modelos com as fotos da Getty, é sobre integração de resultado: as imagens vão aparecer diretamente no ChatGPT quando relevante para a consulta. As ações da Getty subiram ~145% no pregão seguinte ao anúncio.

Por que isso importa: A Getty passou anos processando ferramentas de geração de imagem por uso não autorizado de copyright. Agora fechou com a maior delas, mas em um produto diferente (busca e exibição de originais, não geração de novos). É a distinção que o mercado estava esperando: mostrar imagem é diferente de gerar imagem com ela. Para agências, isso muda como clientes vão buscar e licenciar visuals dentro de ferramentas de IA, e sinaliza que o modelo de licenciamento está ganhando tração como solução para o impasse entre plataformas e detentores de copyright.

Ler em bloomberg.com →

07AppsFlyer capta US$1 bilhão com Google, Meta, Moloco e Unity como minoritários

A plataforma de atribuição e analytics de marketing AppsFlyer fechou uma rodada Série E de US$1 bilhão, avaliada em US$2,7 bilhões pós-money. O detalhe que chama atenção: Google, Meta, Moloco e Unity, quatro das maiores plataformas de mídia paga do mundo, entraram no cap table como minoritários. São as próprias plataformas que a AppsFlyer mede investindo na ferramenta que mede suas campanhas.

Por que isso importa: A AppsFlyer virou padrão de mercado em atribuição mobile justamente por ser neutra, sem interesse no resultado de nenhuma plataforma. Ter Google e Meta como sócias minoritárias pode ser só capital barato com sinergia de narrativa. Mas levanta uma pergunta real: como fica a percepção de independência quando as plataformas medidas são acionistas? Para quem usa atribuição como base para decisão de mídia, vale monitorar como isso vai evoluir nos próximos relatórios.

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08Satya Nadella critica concentração da IA em poucos gigantes enquanto a Microsoft é o maior investidor da OpenAI

Em entrevista ao Wall Street Journal, o CEO da Microsoft afirmou que "o público não vai tolerar" alguns labs de IA "fazendo todo o aprendizado do mundo" e que a empresa está movendo para fornecer modelos mais baratos e ferramentas mais abertas para o mercado. O comentário vem na mesma semana em que a Microsoft reafirma bilhões comprometidos na OpenAI.

Por que isso importa: Nadella está vendendo dois produtos ao mesmo tempo: a OpenAI para quem quer máxima performance, e modelos abertos para quem tem preocupação regulatória. Posicionar a Microsoft como "do lado da diversidade" é jogada estratégica, especialmente quando reguladores americanos e europeus estão cada vez mais de olho em concentração de poder em IA. Para quem compra IA B2B, o subtexto é que o portfólio vai ficar mais aberto. Para quem vende serviço de IA com modelo proprietário no centro, o aviso é outro.

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Criadores e influencers

09Estudo Kapwing: 60% do feed do TikTok é AI slop, três vezes mais do que o YouTube

A ferramenta de edição de vídeo Kapwing analisou mais de 10.000 vídeos e concluiu que 59% dos conteúdos entregues pelo FYP do TikTok são criados por IA, versus 21% no YouTube Shorts. O conteúdo infantil lidera com 57% de AI slop. A metodologia classifica como AI slop vídeos com voz sintética, imagens geradas por IA ou dublagem automatizada sem transparência declarada.

Por que isso importa: O TikTok foi construído em cima da ideia de que o algoritmo descobre talentos que nenhum porteiro humano descobriria. Se 60% do que o algoritmo elege é slop de IA sem criador real por trás, a premissa começa a rachar. Para criadores humanos, isso abre uma janela competitiva, mas também um problema de percepção: quando o fundo do feed é cheio de conteúdo sintético, a atenção de quem assiste fica mais difícil de capturar. O diferencial "feito por humano" vai precisar ser comunicado de forma mais explícita.

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10A24 aceita US$75M do Google, e o diretor do Backrooms disse que apagaria a IA do mapa

O Google investiu US$75 milhões na A24 e fechou parceria com o DeepMind para desenvolver ferramentas de IA para cineastas (storyboards, workflows criativos) sem usar IA para gerar conteúdo final de filme. O timing é difícil de ignorar: o maior sucesso da A24 nos últimos meses é "Backrooms", do diretor Kane Parsons, que disse publicamente que "se pudesse apertar um botão e fazer a IA desaparecer para sempre, provavelmente apertaria". Ele faturou US$277M para a empresa enquanto falava isso.

Por que isso importa: A A24 construiu a marca mais forte do cinema indie com base em talento criativo autêntico e risco artístico real. Aceitar dinheiro do Google para co-desenvolver ferramentas de IA é a aposta de que dá pra separar os dois mundos, ferramenta e expressão criativa. Pode ser. Mas a indústria inteira vai observar se os artistas que tornam a A24 relevante vão continuar topando trabalhar com uma empresa que abraçou publicamente o Google DeepMind. A resposta de Parsons já existe, falta saber se ela vai ecoar.

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Negócios e tech

11Trump assina dois decretos sobre computação quântica, quer o primeiro computador quântico útil até 2028

O presidente americano assinou dois executive orders sobre computação quântica: o primeiro determina que o Departamento de Energia desenvolva o primeiro computador quântico com capacidade para descoberta científica real até 2028; o segundo exige que agências federais migrem para criptografia pós-quântica até 2030-31. Trump reconheceu, ao assinar, que não sabia bem o que estava assinando.

Por que isso importa: A frase "Quantum... cryptography. Does anybody know what that is?" saída da boca de quem acabou de regulamentar o setor é cômica, mas os decretos em si são consequentes. A exigência de criptografia pós-quântica para o governo americano vai criar uma demanda institucional gigante por segurança de rede redesenhada. Para fornecedores de segurança cibernética, isso é um contrato de governo se formando em câmera lenta.

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12SpaceX transforma Colossus em negócio: Reflection AI paga US$6,3B de aluguel de compute até 2029

A SpaceX assinou um contrato com a startup Reflection AI para fornecer acesso ao Colossus 2 por US$150 milhões por mês, totalizando até US$6,3 bilhões até 2029. O Colossus nasceu para treinar o Grok, mas a SpaceX hoje loca o supercomputador para Anthropic, Google, Cursor e agora a Reflection AI. Na mesma semana, a empresa anunciou emissão de US$20 bilhões em bonds.

Por que isso importa: O modelo de negócio da SpaceX está se revelando: não é o foguete, não é o Grok, é o aluguel de infraestrutura de compute para os labs que precisam. O Colossus virou data center premium que cobra o preço da escassez de GPUs de ponta. Para o mercado: a SpaceX está se posicionando como fornecedora de infraestrutura neutra para toda a indústria de IA, uma posição defensável e lucrativa independente de quem ganhe a corrida dos modelos.

Ler em cnbc.com →

13SK Hynix ultrapassa Samsung e vira empresa mais valiosa da Coreia pela primeira vez em 25 anos

As ações da SK Hynix subiram 5,6% e seu valor de mercado chegou a US$1,35 trilhão, ultrapassando a Samsung pela primeira vez desde 2000. A empresa é uma das únicas no mundo a produzir HBM (High Bandwidth Memory), o tipo de memória que roda os modelos de IA mais avançados e o principal ingrediente das GPUs da Nvidia para data centers.

Por que isso importa: Há dois anos, SK Hynix quase faliu. Hoje é a empresa mais valiosa da Coreia por fazer exatamente a parte que mais escasseia na corrida da IA: memória de alta largura de banda. O mercado de chips de IA continua criando anomalias históricas, e quem controla o gargalo de hardware manda no ritmo de todo o resto. Com amostras da HBM4 já sendo enviadas para clientes, o próximo ciclo de escassez já está sendo precificado.

Ler em kedglobal.com →

Cultura e comportamento

14A Midjourney abriu um spa: quer escanear seu corpo inteiro numa banheira de ultrassom

A Midjourney, empresa de geração de imagens por IA, anunciou a Midjourney Medical, uma divisão de saúde com scanner corporal por ultrassom que a empresa diz ser quase 100x mais rápido que um MRI. O processo: você entra numa piscina rasa e uma plataforma te abaixa por sensores subaquáticos que mapeiam seu corpo inteiro em 3D usando ondas sonoras. A empresa quer instalar os scanners em spas, saunas e banheiras de imersão fria e planeja 50 mil unidades globais até 2031.

Por que isso importa: Isso é o que acontece quando uma empresa de IA decide que o próximo mercado é o corpo humano. A Midjourney está saindo do campo visual para o campo médico, uma aposta de que a tecnologia que processa imagens bonitas pode processar imagens diagnósticas. O modelo de negócio é criativo: spa mais scanner mais dados de saúde de uma base de usuários que já existe. Mas médicos já apontam os mesmos problemas dos full-body scans: falsos positivos, ansiedade desnecessária e regulação inexistente para esse tipo de produto fora de hospital.

Ler em midjourney.com →

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