O Google perdeu mais um. O Nobel de Química e criador do AlphaFold trocou o DeepMind pela Anthropic, na segunda saída de peso da semana. Enquanto isso, Cannes Lions entrou no segundo dia e o Brasil foi campeão de Outdoor: o Mercado Livre transformou o Pacaembu num código de barras escaneável de 104 metros. E o Wall Street Journal detonou um esquema de creator marketing da Polymarket que vai acompanhar o setor por bastante tempo, com sites falsos, apostas encenadas e influencers pagos para fingir vitórias que nunca aconteceram.
Inteligência artificial
03John Jumper, Nobel de Química e criador do AlphaFold, sai do Google DeepMind pela Anthropic
Depois de quase 9 anos no Google DeepMind, John Jumper anunciou que vai para a Anthropic. Ele ganhou o Nobel de Química em 2024 (com Demis Hassabis) pelo AlphaFold, modelo que previu a estrutura de mais de 200 milhões de proteínas e acelerou décadas de pesquisa médica. A saída vem dias depois de Noam Shazeer, co-líder do Gemini, ter ido para a OpenAI. Em menos de uma semana, os dois nomes mais pesados de ciência do Google foram embora para os dois maiores rivais da empresa.
Por que isso importa: A vantagem do Google sempre foi que a melhor pesquisa acontecia ali. Jumper ganhando Nobel enquanto estava no DeepMind parecia confirmar isso. Agora ele está indo embora, e isso diz menos sobre salário e mais sobre onde alguém com esse nível de ambição científica acredita que vai conseguir fazer seu melhor trabalho. Anthropic e OpenAI estão construindo uma gravidade que o Google ainda não sabe como neutralizar.
04OpenAI o3 ajuda a diagnosticar 18 crianças com doenças raras que especialistas não conseguiram fechar
Pesquisadores do Boston Children's Hospital e da Harvard processaram 376 casos pediátricos genéticos não resolvidos pelo o3 Deep Research da OpenAI. O modelo devolveu hipóteses com evidências ligadas a genes específicos, médicos testaram no laboratório e confirmaram 18 novos diagnósticos. O estudo foi publicado no NEJM AI.
Por que isso importa: O detalhe que importa: o modelo não diagnosticou, ele cruzou bancos de dados desconectados e literatura recente em velocidade que nenhum clínico teria tempo de replicar. É exatamente aí que IA tem utilidade real em medicina: não substituindo julgamento médico, mas resolvendo o problema de volume e tempo que faz os casos ficarem anos sem resposta. Esse é o case mais concreto do ano para IA em saúde.
05Apple prepara reformulação do time de design antes de Ternus assumir o cargo de CEO em setembro
Segundo Mark Gurman (Bloomberg), o futuro CEO John Ternus está se preparando para deixar sua marca no time de design da Apple, grupo que perdeu influência real na estrutura executiva nos últimos anos, especialmente depois da saída de Jony Ive. A primeira aparição pública de Ternus como CEO deve ser apresentando o iPhone foldable no outono, esperado entre US$1.999 e US$2.500.
Por que isso importa: Tim Cook gerenciou bem, mas operação virou o centro de gravidade da Apple. Ternus sair de hardware e colocar reformulação do design como primeira agenda é uma aposta de que a empresa ainda acredita que produto é diferencial, não só execução. Vai depender de quem ele atrai para reconstruir o time, e o mercado está olhando isso de perto.
06Polymarket pagou criadores para fingir vitórias em apostas em sites falsos, segundo o WSJ
O Wall Street Journal analisou 1.100 vídeos sobre a Polymarket e encontrou um esquema operado via empresa terceirizada chamada Virality: a plataforma criava cópias quase idênticas do próprio site, contratava criadores para filmar vitórias nessas réplicas e amplificava o conteúdo. Em cerca de 10% dos vídeos, criadores exibiam ganhar quase US$900 mil, quando, nas apostas reais equivalentes, teriam perdido US$166 mil. A Polymarket também pagou Adin Ross múltiplos milhões. Os briefings das campanhas instruíam os criadores a usar informações privilegiadas para parecer mais crível. Depois da reportagem, a empresa abriu auditoria interna.
Por que isso importa: É o esquema de creator marketing mais sofisticado que o setor de apostas já montou, e foi montado conscientemente, com documentos, contratos e escala. O impacto vai além da Polymarket: qualquer plataforma financeira que usa creator marketing vai ser escrutinada pela CFTC e pela FTC com esse precedente na mesa. Para quem trabalha com influencer marketing, os próximos meses vão ter muito mais conversa sobre transparência de briefing e responsabilidade do contratante.
07Brasil em Cannes: Mercado Livre e GUT São Paulo ganham Grand Prix de Outdoor com código de barras no Pacaembu
A campanha Field Barcode da GUT São Paulo para o Mercado Livre ganhou o Grand Prix de Outdoor Lions no segundo dia do Cannes Lions 2026. A ideia: transformar o campo do Estádio Pacaembu em um código de barras de 104 metros durante uma partida entre Corinthians e Boca Juniors. Quem assistia ao vivo, pela TV ou no YouTube conseguia escanear e desbloquear 25% de desconto. IA foi usada para garantir que o código funcionasse mesmo escaneado parcialmente ou de ângulos diferentes. Resultado: 53.000 usos de cupom e US$1,78 milhão em vendas.
Por que isso importa: Essa campanha não foi vendida como usamos IA. Usou IA para resolver um problema técnico específico (código de barras legível em campo real, com câmera de TV) e entregou resultado de negócio mensurável. É exatamente o que o júri de Cannes 2026 disse que estava procurando. A GUT São Paulo está confirmando que é a agência brasileira mais consistente no festival, e essa campanha vai virar referência de como usar mídia OOH como e-commerce.
01Instagram permite legenda diferente em cada foto do carrossel
O Instagram começou a liberar legendas independentes por slide nos carrosséis. Antes, o caption digitado se aplicava ao post inteiro. A atualização ainda está em fase de testes para alguns usuários.
Por que isso importa: Para criadores que usam carrossel como sequência narrativa ou educativa, isso muda a construção do post por completo. Cada imagem pode ter seu próprio CTA, contexto ou gancho. O que antes exigia gambiarras de design agora vira recurso nativo, e vai aparecer no briefing de social media de todo mundo nos próximos meses.
02WhatsApp Web finalmente começa a testar chamadas em grupos
O WhatsApp está rodando testes de chamadas em grupo na versão web. A funcionalidade existia para ligações individuais no desktop, mas grupos ficavam de fora há anos. O rollout ainda é parcial.
Por que isso importa: Não é feature revolucionária, é uma lacuna que já devia ter fechado. Para times remotos e atendimento ao cliente via WhatsApp, a versão web com chamadas em grupo remove uma fricção real. O efeito prático: menos troca de dispositivo no meio do dia de trabalho.
08Amazon cancela biopic de Sam Altman com Luca Guadagnino depois de investir US$50 bi na OpenAI
A Amazon MGM Studios parou o filme Artificial, um longa sobre Sam Altman dirigido por Luca Guadagnino, que estava praticamente pronto. A empresa agora busca novo distribuidor. A Amazon investiu US$50 bilhões na OpenAI recentemente e não comentou se os dois fatos estão relacionados.
Por que isso importa: Uma empresa que investe US$50 bilhões em alguém tem incentivo real para não produzir um filme que pode apresentar esse alguém de forma complicada, mesmo que o roteiro fosse positivo. A Amazon não confirmou a ligação, mas o timing é difícil de ignorar. Para Hollywood, isso abre uma pergunta que não existia antes: investimentos estratégicos em tech agora afetam o que pode ser filmado?
09The Atlantic encontra quatro bancos de dados com milhões de músicas sem licença usadas para treinar IA
Jornalistas da The Atlantic identificaram quatro datasets de músicas circulando entre desenvolvedores de IA, com milhões de faixas, a maioria sem licença dos artistas. Os conjuntos foram usados para treinar geradores de música como Suno e Udio, que já estão respondendo a ações judiciais da indústria fonográfica.
Por que isso importa: O debate sobre IA e direitos autorais costumava ser abstrato o suficiente para não resolver. Identificar datasets específicos com faixas de artistas específicos transforma o debate em ação judicial com endereço certo. A indústria musical já está litigando, e esse relatório é mais munição para batalhas que vão definir quais dados podem ser usados para treinar IA criativa nos próximos anos. Para agências que usam ferramentas de geração de áudio, vale entender o que está em jogo.
10Hyundai assume controle total da Boston Dynamics comprando os 9,65% restantes do SoftBank por US$325 mi
A Hyundai está adquirindo a fatia restante que o SoftBank tinha na Boston Dynamics por US$325 milhões, assumindo controle total. O Atlas, robô humanoide da empresa, já está em implantação comercial e começa a trabalhar na fábrica da Hyundai em Georgia (EUA) em 2028. O SoftBank sai para redirecionar capital para seu bet de US$41 bilhões na OpenAI.
Por que isso importa: A corrida de robôs humanoides está se consolidando em dois players com produção perto de real: Tesla com o Optimus, Hyundai com o Atlas. O SoftBank saindo da Boston Dynamics para dobrar na OpenAI diz algo sobre onde o capital acredita que o valor vai se concentrar: não no hardware que anda, mas na IA que decide o que ele faz. Para marcas industriais e logística, 2028 é o prazo mais concreto que existe hoje para robôs em linha de produção.
11Housi vira unicórnio com R$ 1,2 bilhão e quer ter mais pontos de venda do que a Cacau Show
A Housi, superapp de condomínios residenciais e corporativos, fechou uma série B de R$50 milhões com a Headline e atingiu valuation de R$1,2 bilhão. Está em 1.250 condomínios em 230 cidades. O CEO Alexandre Frankel declarou que a meta é superar as 4.700 unidades da Cacau Show em pontos de venda, tratando cada condomínio como um PDV próprio.
Por que isso importa: O modelo da Housi é uma jogada interessante: em vez de vender tecnologia para construtora, vira plataforma de serviço recorrente com acesso cativo a um público qualificado dentro de um espaço físico fechado. É a lógica do varejo de conveniência, só que o canal é o prédio. Se escalar, é um PDV melhor do que a maioria das esquinas de cidade grande, com dados do morador que nenhum lojista de rua vai ter.
12Seu chefe pode ser um algoritmo: Salesforce, DraftKings, Indeed e Xero já usam IA para gerenciar funcionários
A Fortune cobriu o Brainstorm Tech Summit e documentou empresas que já usam IA para gestão em situações de alto risco: avaliação de desempenho e escalamento de times (Salesforce, Zillow, Prudential), precificação dinâmica e operações em tempo real (DraftKings). A questão central do painel foi quem responde quando o algoritmo gerencial toma uma decisão errada, e a resposta coletiva foi um encadeamento de "depende".
Por que isso importa: A conversa sobre IA vai tirar empregos está virando passado. A conversa real agora é: como a empresa responde quando o sistema que decidiu demitir, rebaixar ou avaliar mal alguém estava errado? Responsabilidade, auditoria e explicabilidade de modelos de gestão vão ser os próximos problemas que o RH vai ter que resolver, e a maioria das empresas não estava preparada para isso antes de implantar IA em people management.