Koko Daily · Resumo Diário25 MAI 2026

O último 20% é onde mora o valor

Segunda-feira, 25 de maio de 2026 · 11 histórias

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Hoje eu descobri que a Delta vendeu mais assento de first class do que de econômica pela primeira vez na história, que uma influencer espanhola fatura 10 mil euros por mês sem existir fisicamente, e que a Anthropic já encontrou 10 mil vulnerabilidades críticas com um modelo que ainda nem foi liberado ao público. Tem um fio comum entre essas três histórias, e ele aparece na fala do CEO da Box mais abaixo: o que distingue valor de execução está mudando de lugar.

Inteligência artificial

01Anthropic vai liberar o Mythos depois de consertar 10 mil bugs

O Mythos ficou restrito desde abril ao Project Glasswing, consórcio de 12 empresas (Amazon, Apple, Google, Microsoft, Nvidia) usando o modelo para encontrar vulnerabilidades críticas em sistemas reais. A novidade de hoje: quando os participantes corrigirem os bugs encontrados, a Anthropic vai liberar modelos com capacidade comparável ao público em geral. Mais de 10 mil vulnerabilidades críticas foram identificadas, muitas com décadas de idade.

Por que isso importa: o motivo pelo qual o Mythos não está público é exatamente sua capacidade. Um modelo que encontra qualquer brecha em qualquer sistema, nas mãos erradas, é uma ferramenta de ataque em larga escala. Quando chegar ao público, redefine benchmarks de código e segurança de novo. Para quem usa Anthropic em aplicações críticas, a trajetória do modelo mais poderoso da empresa está agora documentada.

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02A IA assume 80% das habilidades, e o que sobra vale tudo

Aaron Levie, CEO da Box, argumenta que a IA está engolindo os primeiros 80% de qualquer tarefa, a parte mecânica e repetitiva. O último 20%, julgamento, relação, conhecimento de domínio, contexto que não está no texto, é onde fica toda a criação de valor real de uma profissão. "O extra 20% é toda a criação de valor daquela profissão. Toda a expertise e o conhecimento de domínio estão nesses últimos 20%, não no texto que foi gerado."

Por que isso importa: não é consolo de RH. É uma divisão funcional que já está acontecendo em design, código, redação e análise. O risco não é a IA te substituir inteiramente, é você continuar entregando os primeiros 80% enquanto outra pessoa com IA entrega 100%. O diferencial parou de ser o que você executa e virou o que só você consegue julgar.

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Social media

03Snapchat colocou chatbots de marca dentro do DM

O Snap lançou o AI Sponsored Snaps. Marcas inserem agentes conversacionais no inbox dos usuários, e quem vê o anúncio pode perguntar sobre produto, crédito ou serviço sem sair do chat. O primeiro parceiro foi a Experian. No Q1 de 2026, usuários enviaram 950 bilhões de mensagens no Snap, e a empresa argumenta que é o canal com maior intimidade da história do advertising digital.

Por que isso importa: o histórico de formatos assim é ruim. O Facebook tentou bots no Messenger em 2016 e abandonou. Mas 950 bilhões de chats por trimestre é fundamento de volume que o Facebook de 2016 não tinha. Para quem faz performance em serviços financeiros e viagens, esse canal merece teste controlado em 2026. Não para escalar ainda, mas para entender se a intenção de compra conversacional compensa a fricção.

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04Instagram entregou de verdade o controle do Reels para o usuário

O "Your Algo" está chegando para todos os usuários em inglês. A feature mostra quais tópicos estão influenciando o seu feed de Reels e permite ajustes manuais, adicionar ou remover categorias de interesse. Foi lançada em dezembro, expandiu para o Explore em abril e agora tem rollout global em inglês.

Por que isso importa: é a primeira vez em anos que o Instagram dá um botão real de ajuste de feed, não o "não quero ver isso" que desaparece depois de dois posts. Para criadores e marcas, cria um risco novo: se sua audiência remover sua categoria do algoritmo deles, o alcance orgânico desaparece sem aviso. Monitorar variações de alcance nas próximas semanas vai ser revelador.

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Marketing e publicidade

05DoubleVerify levou brand safety com IA para dentro do Threads

A DV habilitou controles de conteúdo pré-impressão no Threads. Os anúncios são triados antes de serem veiculados, com 30 categorias adicionais de evitação, incluindo entretenimento jovem e gambling. O sistema atualiza automaticamente a cada hora, sem intervenção manual.

Por que isso importa: o Threads está tentando conquistar budget de publicidade sério, mas marcas precisam de garantias de contexto antes de escalar. Esse movimento é sinal de maturidade comercial da plataforma e de que, do ponto de vista de planejamento de mídia, Threads está se tornando opção real para 2026. Não faz sentido ignorar uma plataforma com crescimento consistente de usuários que agora tem brand safety de enterprise.

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06Publicidade digital cresceu 15% em 2025 mesmo com tarifas e turbulência

Novo relatório de mercado mostra crescimento robusto do gasto publicitário digital em 2025, liderado por social e CTV. Social media alcançou 40% de todo o gasto digital em publicidade, segundo o IAB, sendo tratado como canal institucionalizado, não como teste.

Por que isso importa: para agências e profissionais discutindo budget com clientes, esses números são munição de negociação. Quando o mercado cresce 15% e você não cresceu junto, a pergunta é de quem foi a fatia. O deslocamento de verba do offline para social e CTV acelerou mais do que as projeções de 2024 diziam, e vai acelerar mais em 2026 com IA na produção de criativo barato.

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Criadores e influência

07Ela tem 400 mil seguidores, contrato global e não existe

Aitana Lopez é uma influencer virtual criada pela agência espanhola The Clueless. Com quase 400 mil seguidores, fecha contratos com Olaplex, Brandy Melville e Intimissimi, fatura até 10 mil euros por mês e não está disponível no mundo físico. Influenciadores de IA estão gerando taxas de engajamento de 8,7%, quase o dobro da média humana.

Por que isso importa: o argumento de "autenticidade de criador real" ficou mais complicado. Se a audiência interage mais com uma persona de IA do que com um humano, o que exatamente as marcas estão comprando? E o que criadores humanos precisam entregar para se diferenciar, já que não é engajamento? A resposta vai definir o mercado de creator marketing nos próximos dois anos.

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08Target lançou dois programas de criadores e foi atrás dos nano

O Club Target abre para criadores com 500 ou mais seguidores, com missões semanais no TikTok e Instagram, recompensas escalonadas em seis tiers e comissões sobre vendas nos tiers mais altos. O Target Ambassadors é o programa invite-only para criadores maiores, via LTK. Os dois substituem o programa anterior que foi encerrado.

Por que isso importa: quando um varejista do porte do Target decide que o futuro é centenas de milhares de nano-criadores em vez de alguns macro, isso valida uma mudança que vinha sendo anunciada há anos com pouca adoção real de marca grande. Criadores com 500 a 5.000 seguidores estão sendo chamados para jogar, e isso muda o custo de entrada no mercado de influência para quem estava esperando chegar nos 10 mil seguidores.

Ler em corporate.target.com →

Negócios e tech

09Qualcomm subiu 75% em um mês e Wall Street acordou para o boom de AI devices

A ação da Qualcomm acumulou 75% de alta em 30 dias, com 11,6% só na sexta. O mercado está precificando o ciclo de AI devices embarcados, smartphones, PCs e wearables com IA local. A AMD projeta crescimento de 35% ao ano no mercado de CPU até 2031, contra os 3% a 4% históricos, puxado por inferência e agentic AI.

Por que isso importa: quando Qualcomm sobe 75% em um mês, o mercado não está especulando, está dizendo que a era dos AI devices é o próximo ciclo de upgrade real de hardware. Para quem trabalha com marketing, dispositivos da próxima geração vão ter IA local, mudando como publicidade, criação de conteúdo e interação com apps funcionam nos próximos 2 a 3 anos. As implicações ainda não chegaram nas estratégias de mídia.

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Cultura e comportamento

10A econômica dos aviões está quebrando e a first class nunca esteve tão cheia

No Q4 de 2025, a Delta vendeu mais em first class e business do que em economy pela primeira vez na história. Vendas de econômica caíram 7%, business e primeira subiram 9%. No mesmo período, a Spirit Airlines, ícone do voo barato, fechou as portas citando custo de combustível. Hotéis de luxo cresceram 2,9% de receita; hotéis econômicos caíram 4,1%.

Por que isso importa: não é só o avião. É o padrão sistêmico de onde a renda está indo. Quando a base do mercado de consumo encolhe e o topo cresce, o marketing para classe média vira terreno instável. Serviços premium têm demanda; serviços populares precisam de volume que não está chegando. Para posicionamento de marca em 2026, esse é o dado mais subestimado, e vai cobrar conta de quem ainda projeta crescimento com base no consumidor médio.

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11Las Vegas perdeu 7,5% dos visitantes e bateu recorde de receita

Os cassinos de Las Vegas faturaram 8,8 bilhões de dólares em 2025, recorde histórico, mesmo com a maior queda de visitantes fora da pandemia. A equação: o visitante médio hoje tem renda familiar de 150 mil dólares ou mais. O turista de orçamento apertado parou de ir; o rico foi e gastou mais. Os canadenses caíram 30%; os brasileiros, 33%.

Por que isso importa: Vegas é um laboratório perfeito de como a concentração de renda muda um negócio de serviço. O modelo funcionou com menos clientes, mas a base ficou mais estreita e mais vulnerável a qualquer oscilação de confiança da alta renda. Marcas que estão abandonando o público de massa para focar no premium estão reproduzindo esse risco sem ver: menos clientes, mais dependentes do humor de uma faixa.

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Qual dessas histórias te incomodou mais? Responde nos comentários, quero entender onde cada uma bate diferente.

Se você conhece alguém pensando em budget de mídia para 2026, manda essa edição.

Conhece alguém que ia gostar disso? Manda pra essa pessoa.

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