Hoje eu descobri que pela primeira vez a Anthropic passou a OpenAI em adoção corporativa, que a Meta está usando movimento de mouse dos funcionários como dado de treino, e que uma cidade de 1.500 pessoas no Maine virou estudo de caso involuntário sobre os limites de gerar logo com IA.
Inteligência artificial
01Anthropic passa OpenAI na adoção corporativa pela primeira vez
O índice de IA empresarial da Ramp, baseado em dados reais de despesas, mostrou a Anthropic em 34,4% de adoção em abril contra 32,3% da OpenAI. A Anthropic cresceu 4x desde 2025; a OpenAI, apenas 0,3%. O Claude Code puxou boa parte da virada, expandindo de times técnicos para financeiro, jurídico e pesquisa.
Por que isso importa: O ChatGPT virou commodity de consumidor. Quem precisa de precisão em fluxo corporativo está migrando pro Claude. A OpenAI reage com preços, aquisições e pivôs de produto, mas o campo de batalha mudou de lugar.
02Meta rastreia teclado e mouse de funcionários para treinar IA
A Meta instalou um software chamado Model Capability Initiative nos computadores de funcionários nos EUA para capturar movimento de mouse, cliques e teclas digitadas como dado de treinamento. A resposta foi panfleto colado em banheiros e máquinas de venda comparando a empresa a uma fábrica de extração de dados de funcionário. No Reino Unido, o caso chegou ao sindicato United Tech and Allied Workers.
Por que isso importa: Acontece uma semana antes da demissão de 10% do quadro, prevista para 20 de maio. Mas o ponto estrutural fica: é a primeira vez que uma Big Tech usa dados comportamentais dos próprios funcionários, em escala, como material de treino — e os funcionários perceberam que isso é diferente de assinar um termo de uso.
03Cerebras estreia na Nasdaq com alta de 68% no maior IPO de tech do ano
A fabricante de chips de IA abriu capital a US$ 185 e fechou o primeiro dia a US$ 311, chegando a bater US$ 385 na abertura. Avaliada em US$ 95 bilhões, levantou US$ 5,55 bilhões, o maior IPO de tech de 2026.
Por que isso importa: A Cerebras tem contrato de US$ 20 bilhões com a OpenAI até 2028 e chips wafer-scale que competem com a Nvidia em velocidade de inferência. O mercado não comprou só a empresa, comprou a tese de que qualquer alternativa real à Nvidia vai valer muito dinheiro.
04Jensen Huang sobe no Air Force One e a Nvidia tenta destravar o H200 para a China
O CEO da Nvidia foi omitido da delegação americana inicial à China e depois chamado pessoalmente por Trump para embarcar. Os EUA autorizaram a venda de chips H200 para até 10 empresas chinesas, mas nenhuma entrega foi feita ainda porque a China retirou os pedidos aguardando autorização de Pequim. Xi declarou que o país vai abrir mais para negócios americanos.
Por que isso importa: É o momento mais concreto de uma possível reaproximação EUA–China em chips de IA. A Nasdaq subiu 1,2% no dia. Se o H200 chegar à China, muda o cálculo competitivo global, e a Nvidia, que tinha sido cortada da lista original, acaba no centro do acordo mais importante do ano.
05Júri do Musk contra Altman começa a deliberar na segunda
A primeira fase do julgamento de Elon Musk contra OpenAI e Sam Altman encerrou os argumentos finais quinta-feira em Oakland. O júri de nove pessoas delibera a partir de segunda. Altman testemunhou que não roubou uma instituição de caridade e que Musk queria 90% do equity quando a empresa foi fundada.
Por que isso importa: Se o júri determinar violação de confiança fiduciária, Musk pede até US$ 150 bilhões. Qualquer desfecho vai redefinir o que significa fundar uma empresa "sem fins lucrativos" no setor de IA e quais obrigações legais isso gera.
06TikTok cresceu 200% para marcas em 2025 enquanto o Instagram perde alcance orgânico
O relatório de benchmarks 2026 da Emplifi analisou mais de 200 mil contas de marcas. O TikTok registrou crescimento médio de seguidores de 200% no ano, gerou o dobro de interações do Instagram e 20 vezes mais que o Facebook. O Instagram viu o alcance orgânico cair até 40% em todos os formatos. O algoritmo agora privilegia compartilhamento em DM e saves, não curtida.
Por que isso importa: Não é só o Instagram perdendo, é o TikTok se consolidando como a aposta real de crescimento. Quem ainda trata as duas plataformas com a mesma estratégia vai colher resultado progressivamente pior no Instagram sem entender por quê.
07Amazon aposenta o Rufus e unifica compras no Alexa+
A Amazon descontinuou o nome Rufus e integrou a funcionalidade direto no Alexa+, que vira a interface única de compras no app e no Amazon.com. Liberado de graça pra qualquer usuário logado, sem precisar de Prime.
Por que isso importa: A Amazon está respondendo a uma ameaça real. ChatGPT e Gemini viraram ponto de partida pra decisão de compra de muita gente. Se você perde a pesquisa de produto pro Google, pode perder o checkout pra OpenAI. Daí a jogada de consolidar tudo num assistente próprio.
08Fim da taxa das blusinhas: governo zera imposto em compras internacionais de até US$ 50
Lula assinou medida provisória que revoga o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Vigente desde agosto de 2023, a cobrança acabou em 13 de maio. O ICMS estadual continua. A renúncia fiscal estimada é de R$ 1,94 bilhão em 2026.
Por que isso importa: Para quem trabalha com e-commerce ou concorre direto com Shein, Shopee e AliExpress, bem-vindo de volta ao campo de batalha mais nivelado. Parcialmente, ao menos, porque o ICMS ainda varia por estado e continua sendo uma bagunça.
09IAB classifica creator marketing como canal de mídia central
O IAB publicou novo relatório colocando marketing com criadores no mesmo nível estratégico de TV, busca paga e redes sociais tradicionais. O dado mais incômodo é que, enquanto creator marketing cresce, o tráfego orgânico de busca está caindo pela primeira vez em anos.
Por que isso importa: Muita agência ainda trata verba de influenciador como tático, uma linha de awareness que entra quando sobra orçamento. O IAB está dizendo que isso é erro estrutural. Quem não tratar criador como canal permanente vai perder o canal de performance mais eficiente que existe hoje.
10Marcas trocam campanha pontual por programa gamificado de nano-criador
Target lançou em maio o Club Target, com seis níveis de progressão e desbloqueio de comissão, e o Target Ambassadors, focado em retenção. Gap, Urban Outfitters e American Eagle fizeram movimentos parecidos. A lógica é que nano-criador em nicho específico gera conteúdo contínuo com consistência que grande influenciador contratado por campanha raramente entrega.
Por que isso importa: O modelo paga, publica e some está sendo enterrado pelo varejo mais esperto. O que emerge é mais parecido com programa de fidelidade com produção de conteúdo embutida, e isso muda o que uma agência precisa oferecer.
11YouTube constrói infraestrutura para o ciclo completo de parceria com criador
No YouTube, parceria entre marca e criador dura em média 13,5 meses, com 50,9% de taxa de repetição. No TikTok, 71,8% das parcerias encerram depois de um único post. O YouTube investe em ferramenta que cobre da descoberta à gestão de afiliado, tornando a relação estrutural, não transacional.
Por que isso importa: YouTube é o canal caro que rende; TikTok é o barato que esquece. Para criador que quer receita previsível, o YouTube continua sendo a única plataforma onde marca e criador constroem algo junto com horizonte real.
12Cidade de 1.500 moradores no Maine usa IA pra criar logo e os moradores rejeitam os erros de digitação
Newburgh, no Maine, compartilhou um logo gerado por IA pedindo feedback e recebeu uma enxurrada de crítica. O desenho tinha o I de incorporated trocado pelo número 1, e os números de 1819 invertidos. Moradores pediram que artistas locais fizessem o logo. A prefeitura ficou na defensiva.
Por que isso importa: O debate que essa cidade trouxe à tona é o mesmo de qualquer agência que já usou IA sem contar. A ferramenta que economizou dinheiro virou um problema de reputação maior do que o valor economizado. Usar IA com transparência ainda tem um custo. Usar sem cuidado também, e esse segundo geralmente é mais alto.