Koko Daily · Resumo Diário7 MAI 2026

A IA já está demitindo gente

Quinta-feira, 7 de maio de 2026 · 11 histórias

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Hoje eu descobri que dois CEOs no mesmo dia atribuíram demissões em massa diretamente à IA, que o governo americano agora testa modelos antes do lançamento, e que tem super PAC pagando criador de TikTok pra falar mal da China enquanto faz café. O dia foi de aviso de mercado, não de previsão.

Inteligência artificial

01Coinbase e Freshworks demitem 1.200 pessoas no mesmo dia citando IA

No dia 5 de maio, duas empresas de tecnologia anunciaram demissões em massa apontando IA como força principal. A Coinbase cortou 14% do quadro (cerca de 700 pessoas) e vai substituir gerentes puros por "player-coaches" que também produzem. A Freshworks cortou 11% (cerca de 500 pessoas) e o CEO revelou que mais da metade do código da empresa já é escrito por IA. Só em 2026, o setor de tech já eliminou perto de 100 mil vagas com esse argumento.

Por que isso importa: O CEO da Coinbase disse em público que toda empresa vai chegar nesse ponto e que o maior risco agora é não agir. Isso não é previsão, é aviso de mercado. Para quem ainda está no modo "vamos observar como a IA evolui", esses dois dias foram a régua de timing que faltava. Agências e equipes de marketing que dependem de trabalho repetitivo e revisável precisam ter essa conversa internamente antes que o cliente traga.

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02Trump ativa CAISI e Google, Microsoft e xAI vão ter modelos testados antes de lançar

O Centro de Inovação e Padrões de IA (CAISI) do Departamento de Comércio assinou acordos com Google DeepMind, Microsoft e xAI para avaliação pré-lançamento de modelos de fronteira, incluindo versões sem safeguards entregues diretamente ao governo para testes de segurança nacional. Já são mais de 40 modelos avaliados, vários ainda não públicos.

Por que isso importa: O governo que chegou prometendo "inovação sem freios" criou o mecanismo de pré-aprovação mais invasivo que já existiu para IA nos EUA. Isso não é coincidência. O que o CAISI está vendo nesses modelos não publicados provavelmente explica por que até os mais céticos de regulação cederam. Regulação de IA não é mais hipótese de futuro, é infraestrutura operacional de 2026.

Ler em cnn.com →

03OpenAI antecipa em um ano o lançamento de telefone próprio

O analista de supply chain Ming-Chi Kuo diz que a OpenAI está acelerando o desenvolvimento de um smartphone de IA com lançamento previsto para o segundo semestre de 2027. O aparelho teria chip MediaTek Dimensity 9600, arquitetura de NPU dupla para rodar modelos de linguagem e visão simultaneamente, e meta de 30 milhões de unidades em 2027-28. A aceleração seria motivada por ambições de IPO e crescente competição no segmento de hardware de IA.

Por que isso importa: A OpenAI não vai lançar esse telefone porque precisa de um telefone. Vai lançar porque hardware cria lock-in que API nunca vai criar. Quando você tem o dispositivo, você tem a distribuição, os dados e a relação direta com o usuário. É uma corrida que sai do campo de software e entra numa guerra de ecossistema que Apple e Samsung vão precisar responder.

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Social media

04Snap cresce 12% no Q1, mas encerra deal com Perplexity e ação cai

A Snap reportou Q1 com receita de US$ 1,53 bilhão (+12% YoY), 956 milhões de MAUs (+5% YoY) e Dynamic Product Ads crescendo 30%. Mas encerrou amigavelmente a parceria de US$ 400 milhões com a Perplexity, que integraria IA de busca no Snapchat, e deu guidance para o Q2 com ressalvas ligadas a incerteza geopolítica no Oriente Médio. A ação caiu 4% no after-hours.

Por que isso importa: O Snap cresce e o mercado ainda puniu. A ruptura com a Perplexity é o detalhe mais revelador: significa que nem as plataformas sociais nem as startups de busca em IA resolveram ainda como integrar as duas coisas de forma que funcione. Quem achava que seria só plugar uma API no app vai descobrir que a execução na prática é o problema difícil.

Ler em cnbc.com →

05Shopify afunda 15% e dá pista de pressão no social commerce

A Shopify bateu estimativas no Q1 com receita de US$ 3,17 bilhões (+34% YoY). Mas a projeção de crescimento para o Q2 ficou em "vinte e poucos por cento", longe dos mais de 30% que o mercado esperava. A ação despencou 15% no pregão. No mesmo dia, Nasdaq, S&P e Dow bateram recordes. A Morning Brew resumiu bem: "Shopify estragou a festa".

Por que isso importa: O Shopify é a infraestrutura de boa parte do comércio social, do TikTok Shop ao Instagram Shopping e aos catálogos dinâmicos de Meta Ads. Quando a empresa que move o SKU digital sinaliza desaceleração, é um aviso indireto para todo o ecossistema de social commerce. Para marcas que dependem de ROAS de social, vale monitorar o Q3 como indicador mais limpo do que está acontecendo com a camada de conversão.

Ler em qz.com →

Marketing e publicidade

06Só 16% dos usuários de IA estão de fato sendo transformados por ela

A Microsoft publicou o Work Trend Index anual, com pesquisa em 20 mil profissionais de 10 países. Os "frontier professionals", apenas 16% dos usuários de IA, reportam que produzem resultados que seriam impossíveis um ano atrás. O paradoxo: 66% dizem que IA dá mais tempo para trabalho de alto valor, mas só 26% afirmam que a liderança da empresa tem alinhamento claro sobre o que fazer com IA. A maior barreira à transformação não é tecnologia, é cultura organizacional.

Por que isso importa: O dado mais útil do relatório não é o dos 16% que estão na frente. É o dos 74% que têm acesso à IA mas ainda não transformaram nada. Para agências e equipes de marketing, a pergunta prática é: você está nos 16% ou nos 84%? E se estiver nos 84%, o problema provavelmente não está na ferramenta, está no alinhamento interno sobre o que você quer mudar.

Ler em microsoft.com →

07Maryland é o primeiro estado a proibir precificação dinâmica em supermercados

O governador Wes Moore assinou o HB 895, tornando Maryland o primeiro estado americano a proibir "surveillance pricing", a prática de cobrar preços diferentes de consumidores diferentes com base em dados pessoais e comportamento, incluindo via IA. A regra vale para varejistas de alimentos com mais de 1.400 m² e serviços de delivery, e entra em vigor em outubro de 2026. Califórnia, Colorado, Nova York e outros 6 estados têm projetos similares em tramitação.

Por que isso importa: A hiperpersonalização de preço que parecia o futuro inevitável do varejo tem resistência política tomando forma legislativa mais rápido do que a maioria esperava. Para marcas, plataformas e agências que trabalham com precificação dinâmica ou personalizada, Maryland é o primeiro aviso formal. O debate vai se expandir para além de supermercados e vai chegar para serviços de marketing em 2027.

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Criadores e influência

08Super PAC ligado à OpenAI paga US$ 5 mil por vídeo para criadores atacarem IA chinesa

A Wired revelou que o grupo dark money "Build American AI", vinculado ao super PAC Leading the Future (com apoio de executivos da OpenAI, Palantir e Andreessen Horowitz), está pagando criadores de lifestyle até US$ 5 mil por vídeo no TikTok e Instagram para disseminar narrativas de que a China representa ameaça via IA. O briefing para criadores é explícito: mencionar China enquanto faz café, passeia com o cachorro, cozinha, calibrado para parecer espontâneo. Criadores marcam como publicidade, mas sem revelar quem financia de verdade.

Por que isso importa: É o influencer político mais sofisticado que já existiu, porque parece que não é político. Para profissionais de marketing e criadores, o ângulo prático é de exposição: aceitar briefings com restrições de disclosure coloca o criador numa posição jurídica e reputacional arriscada. E para quem trabalha com influencer marketing de marca, o caso ilustra como a linha entre conteúdo pago, propaganda e entretenimento está sendo apagada de propósito.

Ler em wired.com →

09Snap abre Creator Subscriptions para criadores elegíveis do mundo todo

Junto com os resultados do Q1, o Snap anunciou que expandiu o programa Creator Subscriptions para todos os criadores elegíveis mundialmente, até então disponível apenas em mercados selecionados. A receita de "Other Revenue" (criadores e Snapchat+) cresceu 87% YoY para US$ 285 milhões no Q1, e 75% dos usuários diários do Snap interagem com AR Lenses todos os dias.

Por que isso importa: Snap com 956 milhões de MAUs e 87% de crescimento em receita de criadores é uma plataforma de monetização muito mais viável do que a maioria dos criadores brasileiros está considerando. Para quem tem audiência em comportamento, humor ou cultura jovem, vale a pena testar antes que o mercado brasileiro descubra o canal.

Ler em businesswire.com →

Negócios e tech

10AB InBev volta a vender mais cerveja depois de três anos

A Anheuser-Busch InBev reportou crescimento de volume no Q1 de 2026 pela primeira vez desde 2023, com marcas como Corona e Michelob Ultra puxando a retomada. O CEO Michel Doukeris atribuiu o resultado à diversificação para além da cerveja tradicional: não-alcoólicos, canned cocktails e spirits crescem ao dobro da taxa da categoria cerveja. O Michelob Ultra é hoje a cerveja mais vendida nos EUA, e spirits já representam 3% da receita total.

Por que isso importa: O Bud Light ainda não se recuperou do boicote de três anos atrás e provavelmente não vai. O que a AB InBev fez foi se reinventar ao redor de marcas que não carregam o peso do escândalo. É um case de brand recovery via portfólio, não via imagem. Para marcas que passaram por crise de reputação, a lição prática é que recuperar a marca lesada pode ser menos eficiente do que construir a marca que vem depois dela.

Ler em cnbc.com →

Cultura e comportamento

11O criador do Roomba quer fazer um pet de IA que "não pode mentir"

Colin Angle, cofundador da iRobot e pai do Roomba, lançou a startup Familiar Machines & Magic com o produto "Familiar": um robô quadrúpede do tamanho de um buldogue, coberto de pelúcia sensível ao toque, com orelhas de urso e 23 graus de liberdade de movimento. O objetivo declarado é criar "personagens de IA com vínculo emocional real", e o diferencial anunciado é que o Familiar não pode mentir ao usuário. Plano de lançamento para 2027, time recrutado do Disney Research, MIT, Amazon e Boston Dynamics.

Por que isso importa: Existe uma tendência clara apontando para IA com presença física e emocional. A linha entre produto tecnológico e personagem está sendo apagada de propósito. Para criadores e marcas que trabalham com mascotes, personagens e brand characters, isso não é futuro distante. É uma aposta que grandes times estão fazendo agora com dinheiro real.

Ler em washingtonpost.com →

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